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26 de agosto de 2014

Como motivar sua força de vendas para alavancar resultados



Tommaso Russo

Alto desempenho em vendas não é fruto de mágica. É o resultado direto de um sistema equilibrado e estratégico composto das pessoas certas, com o foco certo e altamente motivadas por seu trabalho. Enquanto esses 3 componentes são essenciais, a motivação pode ser aquela mais sujeito a falsas concepções e mitos.

A gestão de talentos é a chave para a motivação

A motivação faz diferença, mas somente quando é sustentável ao longo do tempo e por todos os níveis da organização. De acordo com pesquisas da Towers Watson, as principais características das empresas que sustentam a motivação são:


Liderança efetiva - Vendedores motivados confiam em seus líderes. Possuem confiança no trabalho que desenvolvem e acreditam que os líderes são efetivos para o crescimento do negócio. Esses líderes comportam-se consistentemente de acordo com os valores da organização e preocupam-se sinceramente com o bem-estar dos colaboradores.

Supervisão ativa - Gestores de vendas efetivos vão além de medir resultados – eles encorajam novas ideias e novas maneiras de fazer as coisas. Travam conversas frequentes com a equipe sobre o desenvolvimento de carreiras. Tratam os vendedores com respeito e agem de acordo com o que dizem.



Estresse e equilíbrio - É crítico que as organizações possuam a quantidade de colaboradores na equipe de vendas, tanto em campo como na área administrativa. Os níveis de estresse da equipe devem ser gerenciáveis e deve haver um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e a profissional dos colaboradores. Esquemas de trabalho flexíveis são positivos nesse aspecto.
 

Metas e objetivos - A má definição de metas é o calcanhar de Aquiles de muitas organizações. Para o alcance de um alto grau de motivação, a força de vendas deve possuir um bom entendimento dos objetivos comerciais da empresa e as etapas que são necessárias para atingir esses objetivos. Em nível individual, cada vendedor deve possuir uma noção clara de como ele pode contribuir para o atingimento das metas da organização. O profissional de vendas deve compreender as ferramentas e os processos utilizados para a definição das metas e acreditar que elas são justas.

Gestão de desempenho - Em um sistema funcional, deve existir uma clara associação entre desempenho e recompensas financeiras e os indivíduos devem sentir-se responsáveis pelo seu desempenho. Vendedores de alto desempenho são pagos de acordo com seus resultados e devem existir consequências claras para as pessoas de baixo desempenho com relação à sua remuneração, evolução na carreira e retenção.


Melhorar a motivação para melhorar o desempenho de vendas

Se a baixa motivação está prejudicando os resultados, é preciso primeiro identificar as áreas afetadas. Considere essas perguntas para identificar os pontos fracos:

Liderança, Metas e Objetivos:

·     Está claro para a força de vendas qual é a estratégia de crescimento do negócio, os objetivos financeiros e mercadológicos e como cada colaborador pode contribuir para atingir esses objetivos?

·     A liderança definiu claramente as prioridades para cada segmento da força de vendas, especificando o que é esperado dela e o que a organização pode proporcionar-lhe como retribuição?

·     As metas de vendas são consideradas justas, refletindo as oportunidades de cada região e os vendedores participaram na definição dessas metas?

·     A alta administração comunicou explicitamente os valores da organização e definiu as competências da liderança na organização?

Supervisão e gestão de desempenho

·     Vendedores e supervisores mantêm documentados e atualizados o planejamento de regiões ou contas?

·     Os vendedores recebem feedbacks individuais com frequência, bem como relatórios de resultados atingidos confrontados com as metas?

·     As recompensas para a força de vendas vão além de dinheiro e incluem treinamentos, planos de carreira e oportunidades de crescimento?

·     Existem expectativas não financeiras sobre como o trabalho de vendas deve ser conduzido (trabalho em equipe, aprendizado, colaboração)? Essas expectativas são medidas e reconhecidas?

·     O plano de remuneração efetivamente recompensa os vendedores de alto desempenho? Existem consequências claras para os colaboradores de baixo desempenho?

Gerenciamento do estresse, equilíbrio e carga de trabalho

·     Os supervisores estão controlando como os vendedores gastam seu tempo e identificando mudanças nos processos internos de modo a que a equipe mantenha-se focada no cliente e na venda?

·     Regiões não atendidas são frequentemente agregadas a regiões adjacentes já atendidas, aumentando a carga de trabalho do vendedor e o nível de áreas de suporte a vendas possui gente suficiente para atender as necessidades do pessoal de campo?



Para colher os resultados de uma equipe de vendas motivada, a gestão deve ir além do controle de resultados e do cálculo das comissões e apoiar a linha de frente com liderança, direção, orientação e administração de carreiras.


Baseado em How to Engage Your Sales Team to Drive Results, publicado em http://www.worldatwork.org/adimComment?id=75283&utm_source=D


30 de maio de 2014

Por que as organizações resistem a metas e indicadores



Tommaso Russo

A adoção de indicadores e metas não tem apenas o objetivo de medir o desempenho da empresa, mas é criar uma cultura de melhoria nos processos e responsabilização das pessoas. Os gestores das organizações podem querer melhorar a produtividade e a lucratividade, mas ficam reticentes ao perceber que isso aumenta sua responsabilização pelos resultados e as consequências que isso traz.
Quanto mais dados, números e indicadores são utilizados para a gestão, mais os indivíduos, gestores e executivos podem ser responsabilizados por surpresas desagradáveis, ineficiências e desperdícios que esses números podem mostrar. Maior responsabilização deixa as pessoas nervosas.
Em culturas complacentes, o que fazer com as pessoas de baixo desempenho? Os indicadores e metas serão utilizados para melhorar as pessoas e os processos a terem melhores resultados, ou apenas como uma forma de aumentar e centralizar o poder das chefias? Haverá um compromisso de aumento de transparência e responsabilização por parte da alta administração - compartilhar ao invés de impor metas?
Quando os números importam, o esforço sem resultados, o melhor possível, o “valeu assim mesmo”, o bom-mocismo, os deuses e os elementos perdem seu papel amortecedor nas avaliações de desempenho das pessoas. E a maioria das empresas e das pessoas não está preparada para isso.
Além disso, em uma cultura voltada para resultados, o planejamento é fundamental. Estabelecer números que devem ser atingidos pode não ser muito difícil – mas como agir? Como as metas são desdobradas? Quem é responsável pelo quê? É o fim da cultura do “caminhão de melancias – no fim tudo se ajeita”, ou seja, planejar é tão ou mais importante que atingir as metas. E planejar dá trabalho, notadamente quando a alta administração está focada na operação e não na estratégia.
As metas e indicadores devem ser acompanhados através de dados e números. Isso implica em sistemas de informação (custos, resultados, produtividade) relativamente complexos. Infelizmente, muitos dos sistemas de gestão (que custaram caro) estão configurados para tratar apenas dados agregados (que bastam para a Contabilidade, para a qual “relatórios gerenciais” soa como aberração); existe grande dificuldade no rateio de custos, em obterem-se informações por centro de resultados... e a correção dessas funcionalidades vai mostrar que a implantação do ERP foi feita sem considerar as necessidades de gestão da empresa, mas as conveniências do fornecedor.
Indicadores e metas são elementos fundamentais para a gestão e realização das estratégias das organizações. Porém, sua adoção implica na necessidade de algumas mudanças culturais que podem ser difíceis de realizarem-se e que devem ser previamente desenvolvidas nas pessoas.